O processo de edição
Para ser editado, um texto precisa ter no mínimo de conteúdo – informações novas, pesquisa, fatos. A partir daí, é necessário que se tenha disposição para trabalhar e tornar a matéria interessante e bem escrita.
Muitas vezes, é necessário editar textos de colaboradores fracos, mas que têm acesso a determinada fonte. De repórteres que sabem apurar, mas que não possuem um bom texto final. De depoimentos preciosos, mas confusos e dispersos. Convém, então, limpar, polir e emoldurar as informações para que a qualidade especificada da matéria possa brilhar através das construções malfeitas.
Ao editar um texto
Ao editar um texto, o bom editor deve levar em consideração algumas regras básicas:
Respeitar o estilo do autor
A uniformização dos textos não interessa ao bom editor de jornal. No caso de um bom texto, apenas deve-se adequá-lo às necessidades de edição, sem perder o sabor do original.
Escrever com clareza
Parece fácil, mas não é. Escrever de maneira clara é difícil e dá muito trabalho. Exige que as informações sejam selecionadas, agrupadas , ordenadas, analisadas , elaboradas e comunicadas claramente.
Antes de se definir o que se quer dizer com a matéria (como um todo) e com cada parágrafo em particular, não se deve começar a escrever. Dificilmente, produz-se um texto claro dessa maneira. Escrever de maneira clara requer:
Fazer um roteiro
Antes de escrever, o autor deve preparar um roteiro do que se pretende passar para o leito. Tal irá ajuda-lo bastante na elaboração do texto. Para isso, ele deve:
Escrever de maneira objetiva
Escrever de maneira objetiva é simples. Basta:
Escrever de maneira direta
Para se escrever de maneira direta, o autor deve:
Títulos e formas intermediárias
Título é por definição, a palavra ou frase, geralmente composta em corpo maior do que o utilizado no texto e situada com destaque no alto da notícia, artigo, seção, quadro etc., para indicar resumidamente o assunto da matéria e chamar a atenção do leitor para o texto.
Títulos contados
São aqueles cujas as palavras se ajustam em determinados espaços ou colunas do veículo. Para escrever o título contado, o redator precisa acertar, numericamente, com as letras, combinando-as no espaço (colunas) previamente determinado.
Título livre
É aquele que pode ser redigido à vontade, em quantas linhas o redator desejar, obedecendo somente ao número de colunas, e às vezes, as quantidade de linhas, nunca ao número de palavras.
As formas intermediárias são:
Redação de títulos
O título é o anúncio da notícia. Revela ao leitor o assunto de cada matéria e serve para melhorar o visual da página impressa. O bom título, aquele bem redigido, força a ação,desperta o interesse e conduz o leitor diretamente à notícia, sem esforço algum. O bom título responde às seguintes especificações:
a) dá idéia clara da notícia que transmite. Às vezes, é a própria notícia;
b) contém um verbo (geralmente de ação), sujeito e predicado;
c) não repete palavras, não provoca cacófatos.
O título, muitas vezes, não está contido na cabeça ou lide. Pode ser encontrado em qualquer parte da matéria. A dificuldade para se redigir um bom título reside na maior ou menor quantidade de dados existentes na cabeça e corpo da matéria. Ao ler a notícia, o redator separa os detalhes menos interessantes dos fatos principais e com estes procura escrever o título. O método é da exclusão dos detalhes menores.
Um bom exercício para redigir títulos é recortar notícias dos jornais ou revistas, retirar os respectivos títulos e tentar dar-lhes novos, para depois comparar com os originais. Os títulos são estudados quanto:
A primeira página
A primeira página do jornal é uma espécie de vitrine que vai atrair o leitor para a qualidade da mercadoria que irá consumir, ou seja, é através da chamada que o jornal poderá despertar maior ou menor interesse para seu conteúdo interno, começando pela manchete.
O título forte é empregado para destacar matérias que tenham penetração junto ao público leitor do veículo. Em geral, ressalta-se esse título não apenas pela maior objetividade e impacto, como também pelo emprego de tipo próprio, diferente dos demais.
O título comum é empregado no noticiário de fatos rotineiros ou daqueles de menos peso.
A chamada é o destaque objetivo e conciso dos aspectos mais importantes e atraentes de uma matéria contida no corpo do jornal, publicada na primeira página como forma de atrair o interesse do leitor, não só para a compra do jornal, mas para a leitura do texto interno.
Para tanto, é necessário se ter noções básicas de edição. Neste caso, será exigido do profissional responsável que as matérias, depois de selecionadas para a publicação, sejam,também colocadas nas páginas seguindo-se um critério de valores decrescentes. As matérias mais importantes devem ficar ao alto e de preferência abertas horizontalmente e as menos importantes colocadas abaixo na mesma ordem de valores, com o destaque compatível. Os critérios seletivos da matéria são:
a) proximidade no tempo;
b) proximidade no espaço;
c) número e importância das pessoas envolvidas;
d) valor material e/ou ideológico.
Exemplo de manchete:
Efeito Hong Kong se alastra e pára negócios em Wall Street
Queda em Nova Iorque é maior da história. Em Tóquio, hoje a bolsa abriu em baixa de 1,5%A queda na bolsa de Hong Kong (-5,8%) provocou ontem, nova onda de pânico nos principais mercados mundiais, incluindo baixa recorde em pontos do Índice Dow Jones, de Wall Street (7,1%). O índice perdeu 554 pontos, superando os 508 registrados na "segunda-feira negra" de outubro de 1987. Os negócios nas bolsas de Nova Iorque e Chicago chegaram a ser suspensos pela primeira vez desde que os limites de baixa foram impostos,justamente para evitar uma quebra (crash) como a de 10 anos atrás. Segundo a agência de notícias AP, os prejuízos chegaram a US$ 600 bilhões no mercado americano. Na Europa,as bolsas fecharam na média de –3%. A terça-feira não promete tréguas: a Bolsa de Tóquio abriu, hoje, em queda de 1,5% os primeiros 30 minutos de operação (Páginas 136,14 e 15).
Jornal do Brasil, Rio de Janeiro 28 de out. de 1997, Capa.
“Os opostos são idênticos em natureza, mas diferentes em grau. Os extremos não se tocam. Todas as verdades são meias-verdades. Todos os paradoxos podem ser reconciliados”.
Hermes
Para ser editado, um texto precisa ter no mínimo de conteúdo – informações novas, pesquisa, fatos. A partir daí, é necessário que se tenha disposição para trabalhar e tornar a matéria interessante e bem escrita.
Muitas vezes, é necessário editar textos de colaboradores fracos, mas que têm acesso a determinada fonte. De repórteres que sabem apurar, mas que não possuem um bom texto final. De depoimentos preciosos, mas confusos e dispersos. Convém, então, limpar, polir e emoldurar as informações para que a qualidade especificada da matéria possa brilhar através das construções malfeitas.
Ao editar um texto
Ao editar um texto, o bom editor deve levar em consideração algumas regras básicas:
- Ler a matéria com cuidado, mais de uma vez, para perceber o que ela tem de bom;
- Destacar as informações da matéria - dados técnicos, informações dos especialistas, conclusões do autor, sugestões do problema – e dos depoimentos;
- Definir, antes de escrever, o que vai ser aproveitado, o que vai ser modificado. Trabalhar o conteúdo, antes de trabalhar a forma;
- Transmitir informações com suas palavras, quando se trata de tradução. Traduções são feitas por tradutores. Os editores devem recriar o texto, usando a tradução como base.
Respeitar o estilo do autor
A uniformização dos textos não interessa ao bom editor de jornal. No caso de um bom texto, apenas deve-se adequá-lo às necessidades de edição, sem perder o sabor do original.
Escrever com clareza
Parece fácil, mas não é. Escrever de maneira clara é difícil e dá muito trabalho. Exige que as informações sejam selecionadas, agrupadas , ordenadas, analisadas , elaboradas e comunicadas claramente.
Antes de se definir o que se quer dizer com a matéria (como um todo) e com cada parágrafo em particular, não se deve começar a escrever. Dificilmente, produz-se um texto claro dessa maneira. Escrever de maneira clara requer:
- As informações, fatos, reflexões, pontos de vista e conclusões, que ajudam o leitor a entender o assunto em questão, devem ser definidas de imediato pelo autor;
- Convém que as informações sejam agrupadas. Quando abordar um aspecto do tema em questão, o autor deve esgotar o assunto. Não se deve voltar a dar informações sobre determinado aspecto em outro lugar da matéria
Fazer um roteiro
Antes de escrever, o autor deve preparar um roteiro do que se pretende passar para o leito. Tal irá ajuda-lo bastante na elaboração do texto. Para isso, ele deve:
- Preparar a abertura – o enfoque a ser dado à abertura deve ser escolhido e escrito com muito cuidado. É a partir dessa decisão que o leitor vai se sentir atraído – ou não – para a leitura da matéria. A história, o fato ou a informação contidos na abertura devem representar de maneira forte e clara o que se quer dizer com a matéria. As frases devem ser, de preferência, curtas e contundentes;
- Situar a questão – Convém dar todas as informações atuais sobre o tema – o que está acontecendo, como é o comportamento hoje, como era antigamente, os números existentes, os dados de pesquisa, os acontecimentos recentes ligados ao assunto, as notícias na imprensa;
- Discutir a questão – Quem acha o quê – quem é contra; quem é favor; as diferentes correntes de pensamento, de opinião, de estudos e de pesquisa;
- Apresentar saídas - Caminhos, sugestões e soluções, no decorrer da matéria ou como itens isolados – mas sempre que possível;
- Identificar as pessoas – As pessoas devem ser identificadas assim que seus nomes aparecem pela primeira vez. A identificação tem que ser completa, para que não se apresentem novos dados de identificação mais adiante na matéria. Ex.: diz o doutor Carlos Alberto Gonçalves, diretor do Serviço de Pediatria do Hospital Pedro Ernesto, com experiência de dez anos de tratamento de poliomielite.
Escrever de maneira objetiva
Escrever de maneira objetiva é simples. Basta:
- Não sair do tema – O tema específico a que a matéria se propõe deve ser seguido à risca. Em outras palavras: o ponto de vista e o foco da questão precisam ficar sempre claros e vivos na mente do leitor. O tema, provavelmente, estará relacionados com o título e tudo na matéria – as histórias, o ponto de vista do autor, as informações de técnicos e de autoridades;
- Valorizar o que é bom – Convém deixar de lado o que não serve. Muitas vezes é preciso encarar o texto de um jornalista pouco experiente ou de um outro que é famoso, mas não se fez o que se pediu. É fundamental saber distinguir o que interessa ao leitor, ter enorme respeito pelo que é bom e coragem para descartar o que não é;
- Ter coragem de cortar – A frase pode ser lida e brilhante, mas se não estiver funcionando, mas se não estiver funcionando como uma informação ou esclarecendo o assunto em questão, é bom usar caneta com rigor!;
- Não deixar o leitor em suspense – Nunca se pode deixar de responder de imediato uma pergunta, levantando um assunto entre ela e a resposta. Evite usar "etc" ou "e assim por diante".
Escrever de maneira direta
Para se escrever de maneira direta, o autor deve:
- Dar preferência à afirmação direta em vez de dar voltas. Por isso é bom ser simples e dizer tudo diretamente. É mais forte e autêntico;
- Fugir dos advérbios e locuções adverbiais, que podem simplesmente ser eliminados, como: entretanto, incidentalmente, no entanto, por exemplo;
- Escrever com impacto. Todas as matérias devem possuir alguma coisa nova, um fato, uma análise, uma visão, uma constatação, uma descoberta. Essa novidade tem que ser evidenciada na edição – no título, no olho, na abertura, na estrutura da matéria. Não pode ficar perdida;
- Evitar detalhes da biografia de pessoa desconhecida. Nas matérias sobre a carreira profissional ou o comportamento, convém incluir o mínimo de fatos sobre o tempo de escola e problemas de infância da pessoa e concentrar-se na situação de vida que a levou a ser notícia. Mesmo no caso de celebridades, fatos antigos interessam menos que fatos recentes. A notícia vive da novidade. Quando tiver de cortas textos, dê prioridades às partes históricas;
- Não desperdiçar espaço. Não se deve dizer em duas laudas o que se pode dizer em uma. Não se deve escrever em dois parágrafos o que pode ser escrito em apenas um. A imprensa de hoje vive da objetividade;
- Escrever com intimidade. Convém dirigir-se sempre ao leitor. O texto deve falar com a pessoa que está lendo a matéria;
- Tentar fazer as pessoas falarem informalmente, nas citações. A linguagem deve ser a que as pessoas usam quando conversam e não quando escrevem;
- Escrever com respeito. Não confundir clareza com linguagem infantil. Escrever claro é transmitir claramente o que se quer dizer. Isto nada tem a ver com baixar o nível de informação para chegar mais perto do nível do leitor. O autor não deve colocar-se na posição de mais inteligente que os seus leitores. Certamente, entre eles encontram-se pessoas com nível de informação e cultura maior que o dele. Portanto, o nível de informação deve ser o mais alto possível. Por outro lado, a forma de transmitir tudo isso deve ser a mais simples e direta;
- Escrever com elegância. Não usar a mesma palavra muitas vezes em uma frase ou parágrafo. Isto vale para pronomes, conjunções e artigos também. Não convém empregar gíria.
Títulos e formas intermediárias
Título é por definição, a palavra ou frase, geralmente composta em corpo maior do que o utilizado no texto e situada com destaque no alto da notícia, artigo, seção, quadro etc., para indicar resumidamente o assunto da matéria e chamar a atenção do leitor para o texto.
Títulos contados
São aqueles cujas as palavras se ajustam em determinados espaços ou colunas do veículo. Para escrever o título contado, o redator precisa acertar, numericamente, com as letras, combinando-as no espaço (colunas) previamente determinado.
Título livre
É aquele que pode ser redigido à vontade, em quantas linhas o redator desejar, obedecendo somente ao número de colunas, e às vezes, as quantidade de linhas, nunca ao número de palavras.
As formas intermediárias são:
- Antetítulo – palavra ou frase em corpo menor do que o utilizado e colocada (geralmente acima) dele, para introduzi-lo, indicar o assunto ou pessoa nele focalizada, ou localizar aposição geográfica e temporal. Diz-se também sobretítulo ou olho;
- Entretítulo – cada um dos títulos que subdividem um texto extenso, (notícia, artigo, entrevista...). A divisão da matéria em vários trechos destacados por entretítulos é um recurso gráfico-visual destinado a tornar o texto mais atraente, menos cansativo e mais fácil de se ler;
- Subtítulo – título secundário colocado imediatamente após o título principal de uma matéria jornalística. É composto usualmente, em letras grandes, mas sempre menores que os caracteres usados no título. Serve para destacar algum detalhe que completa o sentido do título e segue, geralmente as mesmas normas de redação deste.
Redação de títulos
O título é o anúncio da notícia. Revela ao leitor o assunto de cada matéria e serve para melhorar o visual da página impressa. O bom título, aquele bem redigido, força a ação,desperta o interesse e conduz o leitor diretamente à notícia, sem esforço algum. O bom título responde às seguintes especificações:
a) dá idéia clara da notícia que transmite. Às vezes, é a própria notícia;
b) contém um verbo (geralmente de ação), sujeito e predicado;
c) não repete palavras, não provoca cacófatos.
O título, muitas vezes, não está contido na cabeça ou lide. Pode ser encontrado em qualquer parte da matéria. A dificuldade para se redigir um bom título reside na maior ou menor quantidade de dados existentes na cabeça e corpo da matéria. Ao ler a notícia, o redator separa os detalhes menos interessantes dos fatos principais e com estes procura escrever o título. O método é da exclusão dos detalhes menores.
Um bom exercício para redigir títulos é recortar notícias dos jornais ou revistas, retirar os respectivos títulos e tentar dar-lhes novos, para depois comparar com os originais. Os títulos são estudados quanto:
- À função - anunciar, resumir, embelezar;
- À formulação – princípio a que se destinam aspectos gráficos – variedade de letras (tipos e corpos);
- Às formas intermediárias – antetítulo, subtítulo e entretítulo.
A primeira página
A primeira página do jornal é uma espécie de vitrine que vai atrair o leitor para a qualidade da mercadoria que irá consumir, ou seja, é através da chamada que o jornal poderá despertar maior ou menor interesse para seu conteúdo interno, começando pela manchete.
O título forte é empregado para destacar matérias que tenham penetração junto ao público leitor do veículo. Em geral, ressalta-se esse título não apenas pela maior objetividade e impacto, como também pelo emprego de tipo próprio, diferente dos demais.
O título comum é empregado no noticiário de fatos rotineiros ou daqueles de menos peso.
A chamada é o destaque objetivo e conciso dos aspectos mais importantes e atraentes de uma matéria contida no corpo do jornal, publicada na primeira página como forma de atrair o interesse do leitor, não só para a compra do jornal, mas para a leitura do texto interno.
Para tanto, é necessário se ter noções básicas de edição. Neste caso, será exigido do profissional responsável que as matérias, depois de selecionadas para a publicação, sejam,também colocadas nas páginas seguindo-se um critério de valores decrescentes. As matérias mais importantes devem ficar ao alto e de preferência abertas horizontalmente e as menos importantes colocadas abaixo na mesma ordem de valores, com o destaque compatível. Os critérios seletivos da matéria são:
a) proximidade no tempo;
b) proximidade no espaço;
c) número e importância das pessoas envolvidas;
d) valor material e/ou ideológico.
Exemplo de manchete:
Efeito Hong Kong se alastra e pára negócios em Wall Street
Queda em Nova Iorque é maior da história. Em Tóquio, hoje a bolsa abriu em baixa de 1,5%A queda na bolsa de Hong Kong (-5,8%) provocou ontem, nova onda de pânico nos principais mercados mundiais, incluindo baixa recorde em pontos do Índice Dow Jones, de Wall Street (7,1%). O índice perdeu 554 pontos, superando os 508 registrados na "segunda-feira negra" de outubro de 1987. Os negócios nas bolsas de Nova Iorque e Chicago chegaram a ser suspensos pela primeira vez desde que os limites de baixa foram impostos,justamente para evitar uma quebra (crash) como a de 10 anos atrás. Segundo a agência de notícias AP, os prejuízos chegaram a US$ 600 bilhões no mercado americano. Na Europa,as bolsas fecharam na média de –3%. A terça-feira não promete tréguas: a Bolsa de Tóquio abriu, hoje, em queda de 1,5% os primeiros 30 minutos de operação (Páginas 136,14 e 15).
Jornal do Brasil, Rio de Janeiro 28 de out. de 1997, Capa.