A organização da notícia
A notícia consiste no relato objetivo de fatos ou acontecimentos atuais, de interesse e importância para a comunidade, capaz de ser compreendido pelo público. Segundo Celso Kelly, a matéria-prima do jornalismo não é a palavra e sim a notícia. É em busca da notícia que se desenvolve o jornalismo. Para Fraser Bond, “a notícia não é um acontecimento, ainda que assombroso, mas a narração desse acontecimento”.
A notícia existe em função do público, de e para leitor, e sua essência está determinada pelo interesse geral.
Para se desenvolver um bom produto jornalístico, é necessário um tratamento apropriado à notícia, envolvendo apuração, pesquisa, comparação, interpretação, seleção e uma redação adequada, de acordo com as normas do veículo. Tudo isso deve ser temperado com determinados atributos, como: veracidade, oportunidade, interesse humano, raridade, curiosidade, importância e proximidade para com a comunidade.
Qualidade da notícia
As notícias devem apresentar elementos de interesse pessoal do leitor, tais como: relação com parentes, lugares próximos, amigos e conhecidos. De acordo com interesse esse raciocínio, a notícia de ser:
Do ponto de vista comercial, a notícia interessante vende mais que o jornal ou tem mais leitores porque atrai as massas, ao passo que a importante, geralmente, é dirigida a público específico. O jornalismo de hoje mostra uma grande tendência para segmentação do mercado.
As notícias publicadas nas páginas do jornal são a síntese que ele nos oferece dos acontecimentos diários. Representam a fixação, de maneira condensada, do que ocorre no mundo atualmente. O que caracteriza a redação notícia é justamente:
A boa notícia é o que se mantém fiel ao fato narrado, dando o máximo de informação em um mínimo de espaço.
Exemplo de nota informativa:
Sanguinetti e Gumercindo
O Presidente do Uruguai Juan Maria Sanguinetti estará em Porto Alegre na próxima sextaa para autografar o livro A cabeça de Gumercindo Saraiva, de Tabajara Ruas e Elmar Bones. Além de ter escrito o prefácio, Sanguinetti é descendente do polêmico personagem central do livro, i, caudilho de fronteira que, em 1893, acabou se transformando num dos líderes da revolta federalista. Publicado pela Record e patrocinado pela Copesul, o livro terá uma edição especial de 600 exemplares em espanhol para ser distribuída no Uruguai.
Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 25 out 1997, idéias Livros, p.2.
Efeito estufa destruirá ilhas paradisíacas
As paradisíacas ilhas dos oceanos Índico e Pacífico estão correndo o sério risco de desaparecer caso o efeito estuda continue aumentando o planeta. O fato, que pode atingir, por exemplo, as ilhas do Caribe, foi divulgado durante conferência em Boom, na Alemanha. Caso o nível do mar aumente em três metros, as ilhas ficarão totalmente inundadas.
Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 29 out. 1997 1º Caderno, p.12
Introdução ao jornalismo impresso
a) Lide
A abertura de uma notícia, reportagem o qualquer texto informativo, onde se apresenta resumidamente o assunto ou se destaca o fato essencial, o clímax da história. Do inglês lead, que significa liderar, guiar, induzir, encabeçar. Diz-se também cabeça. Tradicionalmente o lide é sintetizado pela seguinte fórmula 3Q + POC = Quem, o Que, Quando, Por que, Onde e Como. O Manual de Redação Folha de São Paulo considera dois tipos básicos de lide: o noticioso, no qual devem ser respondidas as questões básicas da fórmula, e o não factual, onde o mais importante é conduzir à leitura de todo o texto.
b) Sublide
É o complemento do lide, criação de imprensa brasileira no final da década de 40. Surgiu no Diário Carioca pelas mãos de Fernando Calazans e Pompeu Souza. O sublide é o segundo parágrafo do texto noticioso que detalha e acrescenta informações sobre a ação verbal em si. Ele complementa o lide quando as informações ultrapassam a cinco linhas (na medida da lauda padrão, de 0 a 72 toques). Foi criado para a língua portuguesa, que é mais complexa que inglesa.
O esquema do lide:
O Quê - o fato
Quem – personagem envolvidos no fato
Quando – o tempo (data e/ou horário)
Por que – o motivo que fez com que ocorresse o fato
Onde – local de ocorrência do fato
Como – de que modo aconteceu
Exemplo de lide, com titulações e formas intermediárias:
Crise nas bolsas (antetítulo)
Novo outubro negro dos pregões (título)
Queda em Hong Kong provoca quarta maior baixa em produtos (subtítulo)
SÃO PAULO – A crise na bolsa de Hong Kong que fechou em baixa de 5,79, e queda de 554 pontos na Bolsa de Nova Iorque, a maior da história em pontos foram os responsáveis pelo tombo das bolsas brasileiras. O pregão fluminense fechou dom –13,9, e o paulista, com –14,97, a maior queda dos últimos anos e a quarta da história. As ações preferenciais (sem direito a voto) da Telebrás encerraram com baixas de 17,5, no Rio, e de 16,9, em São Paulo. Só na bolsa paulista, estimam-se em mais de R$ 300 milhões os prejuízos de ontem.
Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 28 de out. de1997, Economia, p.13
c) Pirâmide normal
Os fatos da notícia estão dispostos na ordem cronológica dos acontecimentos, ou seja, com início, meio e fim.
d) Pirâmide invertida
Técnica de relação na qual os fatos principais encabeçam o texto; em seguida, vêm os fatos de importância intermediária. O final do texto (o pé da matéria) contém informações menos importantes para o entendimento da notícia. A idéia é levar ao leitor as informações básicas logo no início. Para o jornalista, fica a certeza de que, em caso de necessidade de enxugar (reduzir) o texto, a parte final pode ser eliminada sem prejudicar o conteúdo.
Exemplo de texto para o caderno de entretenimento:
O cotidiano em cores exuberantes
Por conta de um trabalho de programação visual criado para lojas de utilitários domésticos, ela ingressou na arte pintando o ambiente caseiro, exaltando a plasticidade de um vaso de flor de uma mesa de cozinha em telas coloridíssimas e bem humoradas. Valendo-se das mesmas cores exuberantes que se tornaram sua marca registrada, a pintora Adriana Tavares não saiu do cotidiano, mas voltou seus pincéis para cenas mais urbanas. Na exposição que ela apresenta no Felice Caffé, há bicicletas, carros e outros objetos – às vezes captados apenas em detalhes – que fazem parte do lado de fora da casa que ela se acostumou a pintar.
Mais ainda há um resquício da fase doméstica nesta mostra, uns vasos de folores – lembra Adriana. Só que meu foco de interesse passou a ser menos o ambiente e mais o objeto – lembra.
Como o imenso pião que aparece em cores fortes numa das 14 telas da mostra, e que tanto lembra a casa com as brincadeiras de rua.
MILLEN, Mánya. O cotidfiano em cores exuberantes. O Globo, Rio de Janeiro, 24 de out. 1997, Rio Show, p.9.
Tipos de notícias
Classificação quanto à ocorrência:
Classificação quanto à oportunidade:
Classificação quanto ao local de ocorrência:
A pauta
Em termos jornalísticos, a pauta pode ser agendada ou roteiro dos principais assuntos a serem noticiados em uma edição de jornal ou revista, programa de rádio ou TV.
Identifica-se, também, como pauta o planejamento esquemático dos ângulos a serem focalizados numa reportagem, com um resumo dos assuntos no caso de suíte e a indicação ou sugestão de como o tema deve ser tratado.
Podem estar contidos numa pauta, além do resumo do assunto, o tratamento que deve ser dado a matéria, uma sugestão de lide, perguntas para entrevistados, nomes, endereços e telefones de prováveis informantes.
Exemplos de pauta
Não há como dissociar a pauta da chefia de reportagem em particular e dos repórteres em geral. A chefia e a reportagem também abastecem pauteiro ou sua equipe, informando sobre a seqüência de fatos que são apurados, o que nem sempre é publicado nas matérias.
Fazenda mineira
Sugestão de pauta do editor (Jornal “Folha do Professor”, veículo do Sindicato da categoria).
– Que tal fazermos uma matéria sobre a atual situação da Fazenda Mineira?
O enfoque deve ser a valorização do espaço ecológico, o lazer e as reformas realizadas no local.
É o tipo de matéria para cima, mostrando para a categoria o investimento na sede campestre. A matéria deve ter uma cobertura fotográfica de primeira, para que possamos passar ao leitor as boas coisas da Fazenda. Sugiro que a cobertura fotográfica seja feita pelo fotógrafo Luciano Alves, pois ele tem o melhor preço da praça, além de já estar acostumado a trabalhar com a gente.
– A matéria deve ser feita num final de semana. Teremos algum evento de fim de ano por lá? Seria uma boa aproveitarmos a oportunidade.
Roubo do aparelho de vídeo
(Pauta para o jornal “Muralha da Facha”)
Roubaram o aparelho de vídeo da sala 24. Até agora, o fato ainda é um mistério. Vamos partir para o jornalismo investigativo e tentar desvendar a história. Apure junto à Coordenação (Regina, Eliana ou Teresa) o que for possível. Coisas do tipo: que dia, horário, última aula antes do roubo, quem descobriu o sumiço do aparelho e por aí.
– Entrevista com os alunos que assistem aula na sala 24 também é uma boa. Perguntas do tipo: algum suspeito em vista, o que eles acham do feito, qual a punição para o larápio, se elas sabem de outros frutos e mais qualquer pergunta que lhe surgir no processo da matéria.
Professora assaltada
(Outra pauta para o "Muralha")
A professora Nice, de lingüística, foi assaltada perto da Facha. Segundo informações que chegaram à redação Nice foi abordada perto do viaduto.Parece que o ladrão levou R$ 70. Nice travou um diálogo com o marginal (isso é gancho da matéria) e parece que saiu lucrando na história. Apure tudo com a professora.
O carnaval e os músicos
(Pauta elaborada pelo jornalista Luciano de Moraes para o Jornal do Brasil)
Vamos ouvir o Sindicato dos Músicos sobre as seguintes questões:
– Vai impetrar mesmo mandado de segurança para impedir o desfile das escolas?
– Por que a Riotur não paga os direitos autorais há três anos?
– Qual o total das dívidas?
E vamos ouvir a Riotur:
– Qual o motivo do calote?
– E se sair mesmo uma liminar do tal mandado de segurança?
A reportagem
Reportagem é o conjunto das providências necessárias à confecção de uma notícia jornalística: cobertura, apuração, seleção de dados, interpretação e tratamento, dentro de determinadas técnicas e registros de articulação do texto jornalístico informativo.
A reportagem apresenta um ponto de vista narrativo. Nela, o repórter conta o que aconteceu, muitas vezes, envolvendo sua observação dos eventos. Embora busque a objetividade, como notícia, a reportagem estabelece caminho para uma narração mais extensiva, aproximando-se de formas literárias como as de novela ou romance moderno.
A palavra pode ser ferramenta
Ler
Além do sentido estrito (ler livros), fazer uma leitura do mundo, ter percepção do que acontece no planeta que habitamos. Ler/perceber um buraco na rua, por exemplo.
Pensar
Sobre o que pode acontecer devido à existência desse buraco.
Imaginar
As conseqüências desse problema, como: gente se ferindo, carros caindo...
Criar
A pauta da matéria , entrevistar moradores, colher as histórias relacionadas com o buraco e o perigo que ele representa. Contribuir com essa matéria para que providências sejam tomadas, beneficiando a comunidade.
O importante é desenvolver a percepção, ficar ligado no que ocorre ao redor, treinar os sentidos (audição, visão) e aprender a separar o fato comum da notícia.
Entrevista, o processo dialogal
Significa o encontro com alguém, com a finalidade de se interrogar sobre idéias. Trata-se do conjunto das declarações com autorização implícita ou formal para publicação. O entrevistado é quase sempre pessoa de destaque, permanente ou circunstancial.
A entrevista é um instrumento de pesquisa que visa à apuração de determinados dados ou opiniões através de um processo dialogal. Tem como objetivo levantar informações de interesse para o público.
Categorias
Pode ser aberta ou pré-formulada, quando o informante é solicitado a se pronunciar sobre uma seqüência de quesitos previamente elaborados. No primeiro caso, a fonte é convidada a discorrer espontaneamente sobre as questões.
Pode ser individual ou coletiva. Na última, vários jornalistas podem formular questões ao entrevistados, num mesmo momento.
Modalidade
Exigências técnicas
Perguntar é preciso
Perguntar sempre. Perguntar uma, duas, três, dez vezes, até que se obtenha a resposta, ou até que a resposta obtida faça sentido. A curiosidade e a insistência podem ser defeitos em muitos casos e profissões, mas são importantes pra o repórter, pois fazem parte do seu ciclo. Nenhum repórter deve temer que o achem chato por ser curioso. Também não deve hesitar diante de uma pergunta que se possa parecer banal ou mesmo ingênua. Muitas manchetes saíram de respostas a perguntas aparentemente bobas.
Pergunte, insista se a resposta não convencer . Procure quem fez, onde fez, quando fez, como fez e por que fez. Descobre, multiplique, esmiúce cada uma dessas perguntas. Tenha faro, cave o mais profundo que puder e não comente o erro de se contentar com a primeira história que lhe contarem. Cheque-a. Ouça, com atenção, todas as pessoas envolvidas. Ouça quem fala e de quem se fala.
Redigir a notícia não é nenhum bicho de sete cabeças. Se você tiver usado o gravador é só transcrever a fita e depois pentear (arrumar o texto, cortando aquilo que não interessa ao leitor).
Se tiver feito uma apuração meticulosa, você terá dados suficientes para tornar rica a sua matéria.
Mas, se possível, não dependa apenas do gravador, ele pode falhar e você terá perdido tudo que foi dito. O melhor é anotar, de forma rápida e abreviada, tudo o que for interessante, pois é bem trabalhoso tirar a entrevista gravada e passa-la para a forma gráfica.
A importância de saber escutar
O profissional de jornalismo inicia seu percurso geralmente na apuração. A informação bem apurada facilita o trabalho da redação, por isso é importante saber escutar. Através da escuta, o jornalista terá o material necessário para redigir. Ele poderá melhorar sua pauta com perguntas geradas pelas informações prestadas pelo entrevistado e decidir se existem outras partes envolvidas que necessitam ser ouvidas. Isso garantirá uma boa matéria.
“A lente reflete o interior do sol. O coração contemplativo reflete as qualidades divinas”.
Inayat Khan
A notícia consiste no relato objetivo de fatos ou acontecimentos atuais, de interesse e importância para a comunidade, capaz de ser compreendido pelo público. Segundo Celso Kelly, a matéria-prima do jornalismo não é a palavra e sim a notícia. É em busca da notícia que se desenvolve o jornalismo. Para Fraser Bond, “a notícia não é um acontecimento, ainda que assombroso, mas a narração desse acontecimento”.
A notícia existe em função do público, de e para leitor, e sua essência está determinada pelo interesse geral.
Para se desenvolver um bom produto jornalístico, é necessário um tratamento apropriado à notícia, envolvendo apuração, pesquisa, comparação, interpretação, seleção e uma redação adequada, de acordo com as normas do veículo. Tudo isso deve ser temperado com determinados atributos, como: veracidade, oportunidade, interesse humano, raridade, curiosidade, importância e proximidade para com a comunidade.
Qualidade da notícia
As notícias devem apresentar elementos de interesse pessoal do leitor, tais como: relação com parentes, lugares próximos, amigos e conhecidos. De acordo com interesse esse raciocínio, a notícia de ser:
- Nova – para atrair maior atenção;
- Verdadeira – por questões de credibilidade, tanto do veículo como do jornalista;
- Interessante – para atrair maior número de possível de leitores. Um seminário sobre tuberculose, por exemplo, só é de interesse para médicos, portadores da doença, os parentes e amigos. Não chama a atenção dos comerciantes ou de seus funcionários, do ponto de vista dos seus interesses. No entanto, no Brasil, uma vitória da Seleção Brasileira de Futebol, que chega às finais de um campeonato mundial, é de interesse para todos. Em jornalismo, interesse não é notícia em razão do leitor, mas o número de leitores que lêem em razão do interesse que ela desperta. Interesse que pode ser parcial (caso do seminário) e geral (caso da notícia sobre a seleção);
- Importante – quando agrada ou flui sobre o comportamento de determinados grupos de leitores. Em termos de jornalismo, o que é importante para uma pessoa pode não ser para outra e vice-versa.
Do ponto de vista comercial, a notícia interessante vende mais que o jornal ou tem mais leitores porque atrai as massas, ao passo que a importante, geralmente, é dirigida a público específico. O jornalismo de hoje mostra uma grande tendência para segmentação do mercado.
As notícias publicadas nas páginas do jornal são a síntese que ele nos oferece dos acontecimentos diários. Representam a fixação, de maneira condensada, do que ocorre no mundo atualmente. O que caracteriza a redação notícia é justamente:
- sua objetividade;
- sua concisão;
- seu imediatismo.
A boa notícia é o que se mantém fiel ao fato narrado, dando o máximo de informação em um mínimo de espaço.
Exemplo de nota informativa:
Sanguinetti e Gumercindo
O Presidente do Uruguai Juan Maria Sanguinetti estará em Porto Alegre na próxima sextaa para autografar o livro A cabeça de Gumercindo Saraiva, de Tabajara Ruas e Elmar Bones. Além de ter escrito o prefácio, Sanguinetti é descendente do polêmico personagem central do livro, i, caudilho de fronteira que, em 1893, acabou se transformando num dos líderes da revolta federalista. Publicado pela Record e patrocinado pela Copesul, o livro terá uma edição especial de 600 exemplares em espanhol para ser distribuída no Uruguai.
Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 25 out 1997, idéias Livros, p.2.
Efeito estufa destruirá ilhas paradisíacas
As paradisíacas ilhas dos oceanos Índico e Pacífico estão correndo o sério risco de desaparecer caso o efeito estuda continue aumentando o planeta. O fato, que pode atingir, por exemplo, as ilhas do Caribe, foi divulgado durante conferência em Boom, na Alemanha. Caso o nível do mar aumente em três metros, as ilhas ficarão totalmente inundadas.
Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 29 out. 1997 1º Caderno, p.12
Introdução ao jornalismo impresso
a) Lide
A abertura de uma notícia, reportagem o qualquer texto informativo, onde se apresenta resumidamente o assunto ou se destaca o fato essencial, o clímax da história. Do inglês lead, que significa liderar, guiar, induzir, encabeçar. Diz-se também cabeça. Tradicionalmente o lide é sintetizado pela seguinte fórmula 3Q + POC = Quem, o Que, Quando, Por que, Onde e Como. O Manual de Redação Folha de São Paulo considera dois tipos básicos de lide: o noticioso, no qual devem ser respondidas as questões básicas da fórmula, e o não factual, onde o mais importante é conduzir à leitura de todo o texto.
b) Sublide
É o complemento do lide, criação de imprensa brasileira no final da década de 40. Surgiu no Diário Carioca pelas mãos de Fernando Calazans e Pompeu Souza. O sublide é o segundo parágrafo do texto noticioso que detalha e acrescenta informações sobre a ação verbal em si. Ele complementa o lide quando as informações ultrapassam a cinco linhas (na medida da lauda padrão, de 0 a 72 toques). Foi criado para a língua portuguesa, que é mais complexa que inglesa.
O esquema do lide:
O Quê - o fato
Quem – personagem envolvidos no fato
Quando – o tempo (data e/ou horário)
Por que – o motivo que fez com que ocorresse o fato
Onde – local de ocorrência do fato
Como – de que modo aconteceu
Exemplo de lide, com titulações e formas intermediárias:
Crise nas bolsas (antetítulo)
Novo outubro negro dos pregões (título)
Queda em Hong Kong provoca quarta maior baixa em produtos (subtítulo)
SÃO PAULO – A crise na bolsa de Hong Kong que fechou em baixa de 5,79, e queda de 554 pontos na Bolsa de Nova Iorque, a maior da história em pontos foram os responsáveis pelo tombo das bolsas brasileiras. O pregão fluminense fechou dom –13,9, e o paulista, com –14,97, a maior queda dos últimos anos e a quarta da história. As ações preferenciais (sem direito a voto) da Telebrás encerraram com baixas de 17,5, no Rio, e de 16,9, em São Paulo. Só na bolsa paulista, estimam-se em mais de R$ 300 milhões os prejuízos de ontem.
Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 28 de out. de1997, Economia, p.13
c) Pirâmide normal
Os fatos da notícia estão dispostos na ordem cronológica dos acontecimentos, ou seja, com início, meio e fim.
d) Pirâmide invertida
Técnica de relação na qual os fatos principais encabeçam o texto; em seguida, vêm os fatos de importância intermediária. O final do texto (o pé da matéria) contém informações menos importantes para o entendimento da notícia. A idéia é levar ao leitor as informações básicas logo no início. Para o jornalista, fica a certeza de que, em caso de necessidade de enxugar (reduzir) o texto, a parte final pode ser eliminada sem prejudicar o conteúdo.
Exemplo de texto para o caderno de entretenimento:
O cotidiano em cores exuberantes
Por conta de um trabalho de programação visual criado para lojas de utilitários domésticos, ela ingressou na arte pintando o ambiente caseiro, exaltando a plasticidade de um vaso de flor de uma mesa de cozinha em telas coloridíssimas e bem humoradas. Valendo-se das mesmas cores exuberantes que se tornaram sua marca registrada, a pintora Adriana Tavares não saiu do cotidiano, mas voltou seus pincéis para cenas mais urbanas. Na exposição que ela apresenta no Felice Caffé, há bicicletas, carros e outros objetos – às vezes captados apenas em detalhes – que fazem parte do lado de fora da casa que ela se acostumou a pintar.
Mais ainda há um resquício da fase doméstica nesta mostra, uns vasos de folores – lembra Adriana. Só que meu foco de interesse passou a ser menos o ambiente e mais o objeto – lembra.
Como o imenso pião que aparece em cores fortes numa das 14 telas da mostra, e que tanto lembra a casa com as brincadeiras de rua.
MILLEN, Mánya. O cotidfiano em cores exuberantes. O Globo, Rio de Janeiro, 24 de out. 1997, Rio Show, p.9.
Tipos de notícias
Classificação quanto à ocorrência:
- previstas – o jornalista sabe que irão ocorrer, por isso pode montar previamente o esquema de cobertura (trabalho de apuração);
- imprevistas – são os acontecimentos que ocorrem sem que ninguém passa prevê-los. Desastres e acidentes como um terremoto ou queda de um avião envolvidos já conseguem prever alguns desses abalos!;
- mistas – quando o repórter sai para cobrir um fato previsto e, no meio desse acontecimento, ocorre um fato imprevisto. Exemplo: um setorista encarregado de cobrir a rotina da Câmara Municipal presencia a troca de tiros entre vereadores, durante uma sessão plenária.;
- suíte – é a seqüência que se dá a uma notícia ou reportagem, nas edições seguintes do veículo. É o desenrolar dos fatos.
Classificação quanto à oportunidade:
- quentes – são as notícias que devem ser divulgadas imediatamente;
- frias – podem aguardar algum tempo a publicação, também conhecidas como features.
Classificação quanto ao local de ocorrência:
- locais – referem-se aos fatos que ocorrem na cidade onde se edita o noticiário;
- regionais – correspondem aos fatos ocorridos no estado onde se edita o noticiário;
- nacionais – notícias do país do veículo que edita matérias;
- internacionais – dizem respeito a fatos que acontecem em qualquer lugar do mundo e que, dependendo do assunto podem despertar o interesse do leitor.
A pauta
“Não digais: encontrei a verdade. Dizei de preferência: encontrei uma verdade".
Gibran Khalil Gibran
Em termos jornalísticos, a pauta pode ser agendada ou roteiro dos principais assuntos a serem noticiados em uma edição de jornal ou revista, programa de rádio ou TV.
Identifica-se, também, como pauta o planejamento esquemático dos ângulos a serem focalizados numa reportagem, com um resumo dos assuntos no caso de suíte e a indicação ou sugestão de como o tema deve ser tratado.
Podem estar contidos numa pauta, além do resumo do assunto, o tratamento que deve ser dado a matéria, uma sugestão de lide, perguntas para entrevistados, nomes, endereços e telefones de prováveis informantes.
Exemplos de pauta
Não há como dissociar a pauta da chefia de reportagem em particular e dos repórteres em geral. A chefia e a reportagem também abastecem pauteiro ou sua equipe, informando sobre a seqüência de fatos que são apurados, o que nem sempre é publicado nas matérias.
Fazenda mineira
Sugestão de pauta do editor (Jornal “Folha do Professor”, veículo do Sindicato da categoria).
– Que tal fazermos uma matéria sobre a atual situação da Fazenda Mineira?
O enfoque deve ser a valorização do espaço ecológico, o lazer e as reformas realizadas no local.
É o tipo de matéria para cima, mostrando para a categoria o investimento na sede campestre. A matéria deve ter uma cobertura fotográfica de primeira, para que possamos passar ao leitor as boas coisas da Fazenda. Sugiro que a cobertura fotográfica seja feita pelo fotógrafo Luciano Alves, pois ele tem o melhor preço da praça, além de já estar acostumado a trabalhar com a gente.
– A matéria deve ser feita num final de semana. Teremos algum evento de fim de ano por lá? Seria uma boa aproveitarmos a oportunidade.
Roubo do aparelho de vídeo
(Pauta para o jornal “Muralha da Facha”)
Roubaram o aparelho de vídeo da sala 24. Até agora, o fato ainda é um mistério. Vamos partir para o jornalismo investigativo e tentar desvendar a história. Apure junto à Coordenação (Regina, Eliana ou Teresa) o que for possível. Coisas do tipo: que dia, horário, última aula antes do roubo, quem descobriu o sumiço do aparelho e por aí.
– Entrevista com os alunos que assistem aula na sala 24 também é uma boa. Perguntas do tipo: algum suspeito em vista, o que eles acham do feito, qual a punição para o larápio, se elas sabem de outros frutos e mais qualquer pergunta que lhe surgir no processo da matéria.
Professora assaltada
(Outra pauta para o "Muralha")
A professora Nice, de lingüística, foi assaltada perto da Facha. Segundo informações que chegaram à redação Nice foi abordada perto do viaduto.Parece que o ladrão levou R$ 70. Nice travou um diálogo com o marginal (isso é gancho da matéria) e parece que saiu lucrando na história. Apure tudo com a professora.
O carnaval e os músicos
(Pauta elaborada pelo jornalista Luciano de Moraes para o Jornal do Brasil)
Vamos ouvir o Sindicato dos Músicos sobre as seguintes questões:
– Vai impetrar mesmo mandado de segurança para impedir o desfile das escolas?
– Por que a Riotur não paga os direitos autorais há três anos?
– Qual o total das dívidas?
E vamos ouvir a Riotur:
– Qual o motivo do calote?
– E se sair mesmo uma liminar do tal mandado de segurança?
A reportagem
Reportagem é o conjunto das providências necessárias à confecção de uma notícia jornalística: cobertura, apuração, seleção de dados, interpretação e tratamento, dentro de determinadas técnicas e registros de articulação do texto jornalístico informativo.
A reportagem apresenta um ponto de vista narrativo. Nela, o repórter conta o que aconteceu, muitas vezes, envolvendo sua observação dos eventos. Embora busque a objetividade, como notícia, a reportagem estabelece caminho para uma narração mais extensiva, aproximando-se de formas literárias como as de novela ou romance moderno.
A palavra pode ser ferramenta
Ler
Além do sentido estrito (ler livros), fazer uma leitura do mundo, ter percepção do que acontece no planeta que habitamos. Ler/perceber um buraco na rua, por exemplo.
Pensar
Sobre o que pode acontecer devido à existência desse buraco.
Imaginar
As conseqüências desse problema, como: gente se ferindo, carros caindo...
Criar
A pauta da matéria , entrevistar moradores, colher as histórias relacionadas com o buraco e o perigo que ele representa. Contribuir com essa matéria para que providências sejam tomadas, beneficiando a comunidade.
O importante é desenvolver a percepção, ficar ligado no que ocorre ao redor, treinar os sentidos (audição, visão) e aprender a separar o fato comum da notícia.
Entrevista, o processo dialogal
Significa o encontro com alguém, com a finalidade de se interrogar sobre idéias. Trata-se do conjunto das declarações com autorização implícita ou formal para publicação. O entrevistado é quase sempre pessoa de destaque, permanente ou circunstancial.
A entrevista é um instrumento de pesquisa que visa à apuração de determinados dados ou opiniões através de um processo dialogal. Tem como objetivo levantar informações de interesse para o público.
Categorias
Pode ser aberta ou pré-formulada, quando o informante é solicitado a se pronunciar sobre uma seqüência de quesitos previamente elaborados. No primeiro caso, a fonte é convidada a discorrer espontaneamente sobre as questões.
Pode ser individual ou coletiva. Na última, vários jornalistas podem formular questões ao entrevistados, num mesmo momento.
Modalidade
- Noticiosa – quando o entrevistado tem informação importante a dar e é interrogado exclusivamente sobre ela;
- Opinativa – solicitada a especialistas sobre um tema em debate;
- Entretenimento – quando o entrevistado se dispõe a abrir o jogo, exteriorizar seus gostos, anseios, preferências e opiniões sempre com ligação ao hoje.
Exigências técnicas
- Conhecimento do assunto;
- Confiança e simpatia;
- Saber escutar;
- Uma pergunta de cada vez;
- Anotações e o gravador.
Perguntar é preciso
Perguntar sempre. Perguntar uma, duas, três, dez vezes, até que se obtenha a resposta, ou até que a resposta obtida faça sentido. A curiosidade e a insistência podem ser defeitos em muitos casos e profissões, mas são importantes pra o repórter, pois fazem parte do seu ciclo. Nenhum repórter deve temer que o achem chato por ser curioso. Também não deve hesitar diante de uma pergunta que se possa parecer banal ou mesmo ingênua. Muitas manchetes saíram de respostas a perguntas aparentemente bobas.
Pergunte, insista se a resposta não convencer . Procure quem fez, onde fez, quando fez, como fez e por que fez. Descobre, multiplique, esmiúce cada uma dessas perguntas. Tenha faro, cave o mais profundo que puder e não comente o erro de se contentar com a primeira história que lhe contarem. Cheque-a. Ouça, com atenção, todas as pessoas envolvidas. Ouça quem fala e de quem se fala.
Redigir a notícia não é nenhum bicho de sete cabeças. Se você tiver usado o gravador é só transcrever a fita e depois pentear (arrumar o texto, cortando aquilo que não interessa ao leitor).
Se tiver feito uma apuração meticulosa, você terá dados suficientes para tornar rica a sua matéria.
Mas, se possível, não dependa apenas do gravador, ele pode falhar e você terá perdido tudo que foi dito. O melhor é anotar, de forma rápida e abreviada, tudo o que for interessante, pois é bem trabalhoso tirar a entrevista gravada e passa-la para a forma gráfica.
A importância de saber escutar
O profissional de jornalismo inicia seu percurso geralmente na apuração. A informação bem apurada facilita o trabalho da redação, por isso é importante saber escutar. Através da escuta, o jornalista terá o material necessário para redigir. Ele poderá melhorar sua pauta com perguntas geradas pelas informações prestadas pelo entrevistado e decidir se existem outras partes envolvidas que necessitam ser ouvidas. Isso garantirá uma boa matéria.