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Jornalismo: linguagem da simplicidade - capítulo VI

Manual de Redação para um Jornal Laboratorial
“A guerra que fazemos é uma guerra de gênero humano e contra seus opressores”.
Brisot – O Patriota Francês

Apresentação do texto
  • A lauda do padrão do JORNAL LABORATORIAL contém 30 linhas com uma largura de 72 batidas (toques);
  • Todas as laudas devem ser numeradas;
  • Deve-se iniciar o parágrafo de dez batidas à direita da margem esquerda;
  • JORNAL LABORATORIAL sempre em caixa alta (letras maiúsculas) e negrito.

Redação

Frases curtas, parágrafos de cinco linhas em média. A frase não deve ultrapassar de três linhas;
De 15 em 15 linhas um entretítulo, salvo em casos especiais – entrevistas pingue-pongue, reprodução de documentos. O entretítulo não deve ultrapassar de 25 batidas. Matérias com menos de 20 linhas dispensam entretítulos.

Qualidades indispensáveis do texto:
- Exatidão na informação e vocabulário;
- Clareza, dando preferência por palavras simples, de uso corrente. Evitar orações rebuscadas ou ambíguas, sem cair no estilo telegráfico, procurar apresentar apenas uma idéia ou ação por frase;
- Concisão, abandonando expressões supérfluas ou redundante.

O importante é prender a atenção do leitor e leva-lo a ler a matéria até o fim. Isto serve para a confecção do lide, devendo começar pelo mais importante.

A importância dos assuntos tratados ou dos fatos narrados deve decrescer à medida que o teto avança. É prioritário que a matéria seja organizada de forma a ser, caso necessário, cortada pelo pé (final) sem perda do sentido, exceto: na reprodução de documento; quando for indispensável a ordem cronológica; e em matéria especiais com estilo de crônica, comentário ou análise.

Deve-se produzir um texto agradável de ler. Juntar aos fatos essenciais os detalhes e elementos descritivos que, empregados com cuidado e bom gosto, possam dar à reportagem originalidade e clima.


Técnica redacional
  • Clareza – visão clara dos fatos e exposição fácil. Palavras comuns, familiares.
  • Concisão – empregar apenas as palavras indispensáveis, precisas e exatas, cheias de sentido. Cada frase deve acrescentar novas informações, novos fatos.
  • Objetividade – relato fiel  dos fatos.

Recomendações
  • Cuidado com a exatidão de nomes próprios e cifras. Apurar (sempre) o nome completo do entrevistado.
  • Reler a matéria antes de entrega-la e, depois de publicada, procurar, em seu próprio benefício, saber a razão das modificações.
  • Evitar expressões ambíguas e nunca escrever algo cuja definição ou sentido exato se desconheça, ou seja ignorado pela maioria das pessoas. Palavras ou termos técnicos, científicos, estrangeiros etc., devem ser explicados e definidos.
  • Deve-se fazer  com que a matéria responda a todas as perguntas razoáveis que possam ocorrer ao leitor. Dispensar o que nada acrescente à história  ou o que já foi publicado sobre o assunto.
  • Toda suíte deve incluir um retrospecto sobre a matéria original tão extenso que permita ao leitor novo entender a matéria do dia, e tão curto que não  aborreça o leitor já familiarizado com o assunto.
  • Em tese, todas as pessoas devem ser identificadas pelo nome completo, na primeira vez que são citadas e, daí em diante, pelo nome de guerra, que é geralmente o sobrenome. Atletas, crianças e artistas podem ser tratadas pelo primeiro nome ou apelido.
  • Não é preciso chamar as pessoas de “Sr” ou “Sra”. Senhor pode ser necessário em diálogos obrigatoriamente por extenso.
  • Siglas, quando aparecem pela primeira vez no texto, dar por extenso o significado, seguido da sigla entre parênteses.
  • Evitar começar frases e  parágrafos seguidos com a mesma palavra; não usar repetidamente a mesma estrutura de frase; nunca usar palavras chulas.
  • Gírias devem ser grafadas em itálico e conter o significado entre parênteses.

Entrevista, transcrição e citação
  • Toda declaração oral deve ser precedida de travessão. Toda transcrição de texto deve ficar entre aspas (no início de cada parágrafo e no fim do último). Quando reproduzir parte de uma declaração oral no meio de uma frase, colocar entre aspas.
  • Se as aspas são abertas no meio da frase, devem ser fechadas no fim da frase. Só usar aspas quando for absolutamente necessário indicar que aqueles foram exatamente as palavras usadas, ou seja, quando a forma for tão ou mais importante que o conteúdo.
  • Em geral, a entrevista extensa fica mais atraente e fiel no formato pingue-pongue. No JORNAL LABORATORIAL,  entrevista extensa é aquela com mais de duas laudas.
  • Opiniões coletivas não podem ser reproduzidas entre aspas, pois não é habitual que as pessoas exprimam uma mesma idéia com palavras idênticas.
  • Não colocar no lide trechos longos de declarações ou documentos que serão repetidos no corpo da matéria. Destacar estritamente o mais importante.
  • Entrevistados e informantes não são obrigados a saber o que é notícia. O repórter deve perguntar até que as respostas apresentam uma notícia. Não usar frases que nada significa só porque alguém as pronunciou.
  • A melhor forma de apresentar um documento importante é a transição integral, acompanhada, quando extenso, de um resumo dos pontos mais importantes. O repórter deve sempre obter o texto completo.

Título
  • O título e os entretítulos devem ser citações extraídas do texto ou, quando possível, palavras que resumam o seu conteúdo;
  • É proibido em títulos o uso de palavras que tornem vaga a informação, como alguns, vários, muitos, pouco, bastante;
  • Evitar artigos: um, uma, o, a. Em geral, evitar todas as palavras de significado genérico e impreciso;
  • Declarações só podem constar de títulos se a fonte estiver indicada neles ou em antetítulo;
  • O título deve sair do primeiro parágrafo, mas nunca repetindo exatamente as suas palavras;
  • Evitar no título  abreviaturas, siglas ou nomes pouco conhecidos. No caso de pessoas, use o que mais ajudar o leitor – nome, cargo ou função;
  • Nunca começar títulos (ou qualquer frase) com algarismos;
  • Usar o menos possível sinais de pontuação no título;
  • Nunca usar trocadilhos, rimas ou qualquer outro jogo de palavras nos títulos.

Legenda
  • As legendas completam as informações visuais da foto. É errado faze-las com informações que, embora relacionadas com o tema e constantes da matéria, tenham ligações apenas indireta com o que se vê na foto.
  • Sempre que a foto mostrar uma ação, a legenda deve ter um verbo no presente.
  • Texto-legenda: sempre que possível, começar pela legenda  e depois apresentar as demais informações. Nos casos em que for indispensável começar por outros fatos, de qualquer forma fazer referência expressa e direta à foto.
  • Com exceção de transeuntes, garçons, curiosos e outros intrometidos, todos os personagens da foto devem ser indicados nas legendas. E, de preferência, da esquerda para a direita. Use 'à direita' e não 'direita', 'D' ou 'dir'. A indicação dos protagonistas é indispensável.

Fotografias 
  • Créditos – Toda foto publicada deve trazer o crédito do autor, em corpo 8 e negrito, sempre no alto e à direita. Foto de arquivo deve conter a data da primeira publicação.
  • Identificação – O repórter fotográfico deve indicar corretamente todo o material enviado à redação  para edição. É dever do fotógrafo o procedimento correto da identificação de todos os  personagens fotografados . É a melhor forma de evitar equívocos.
  • Fotos profissionais – A reprodução de fotos profissionais devem estar autorizadas pelos autores ou agências de notícias. A medida resguarda o jornal de ações por violação de direito autoral.

Principais  convenções

Maiúsculas – Usar para nomes de conferências, congressos, códigos, leis, guerras,batalhas, competições esportivas,tratados, períodos históricos, formas de governo, efemérides, festas religiosas, divisões políticas e administrativas, instituições políticas e religiosas, disciplinas escolares, monumentos, ruas, praças e divisões do ensino (Primeiro, Segundo e Terceiro Graus).
Não usar para artigos, parágrafos de leis, senhor e doutor. Cargos e funções importantes levam maiúsculas quando desacompanhadas do nome do ocupante. Assim:
– O Ministro da Fazenda informou...
– O ministro Pedro Malan...

Números, datas e dinheiro – Os números de um a dez, assim como com, mil, milhão e bilhão, devem ser escritos por extenso. Os demais com algarismos. Exceções: datas e horas, endereços, idades, que são representadas por algarismos.
As horas são representadas assim 15h17. Em tabelas esportivas: 15h17m30s. Mas não quando tratar de duração: a reunião durou duas horas e quinze minutos e não 2h15.
Números redondos acima de mil são designados assim: 150 mil e não 150.000; 1,3 milhão e não 1. 300.000, nem 1,300 mil.
Deve-se procurar abandonar números elevados. Sempre que não houver fração de real, dispensar a vírgula e os dois zeros. Ex.: R$ 70 e não R$ 70,00.
Só se abreviam pesos e medidas muito conhecidos: quilo (k), metro (m), quilômetro (km), tonelada (t). Por extenso os demais: milha, acre, hectare e libra.
Primeiro, segundo, terceiro, sempre por extenso até o décimo, inclusive nas formas compostas: segundo-tenente, terceiro-secretário, quarta-feira. Exceção: 1º ano, 1ª série.
Em algarismos romanos as numerações de: exércitos, assembléias, congressos e conferências.

Nomes próprios – O nome de uma pessoa deve ser grafado como ela escreve . Apenas quando se ignorar a grafia exata é que devem ser aplicadas as regras ortográficas. Idem para os nomes de lugares, monumentos, marcas...

Aspas – Títulos de livros, peças, filmes e obras de arte em geral são escritos entre aspas, com apenas a primeira letra maiúscula. Ex: "O velho e o mar", "Jornalismo, linguagem da simplicidade".
Não levam aspas os nomes de produtos muito conhecidos, como a maioria dos automóveis, refrigerantes jornais..., que adquirem o caráter de substantivo comum.
Apelidos, palavras de gíria e de outros idiomas não levam aspas mas são grafadas em itálico.

Siglas e abreviaturas – Todas as siglas que formarem palavras tem apenas a inicial maiúscula: Unesco, Funarte, Cetel. São exceção as com três letras (ONU). Nas demais todas as letras são maiúsculas.
Não se abrevia a primeira palavra de nomes compostos. 'Porto Alegre' e não 'P. Alegre'; 'América Latina' e não 'A. Latina'.
A abreviatura de televisão é 'TV' e não 'Tv' ou 'tevê'.
Se você não conhece o significado de uma sigla, verifique buscando na internet ou em um dicionário.


Termos técnicos empregados no manual:

Antetítulo – Palavra ou frase, composta em corpo menor do que utilizado no título, e colocada antes (geralmente acima) deste, para indicar o assunto ou a pessoa nele focalizada; localizar a posição geográfica e temporal. Ex: Nélio Nazário (antetítulo). Pai de Ronaldinho no ataque (título).
Caixa alta – Letra maiúscula.
Entretítulo – Cada um dos títulos inseridos no meio de um texto extenso (notícia, artigo, entrevista...). A divisão da matéria em vários trechos destacados por entretítulos é um recurso gráfico (visual) destinado a tornar o texto mais atraente e fácil de se ler.
Grifo – Designação do tipo de letra inclinada, o mesmo que itálico.
Lauda – Folha padronizada, própria para redação de matérias em veículos jornalísticos.
Lide (aportuguesamento do inglês lead) – Abertura de uma notícia, reportagem, texto... onde se apresenta resumidamente o assunto ou se destaca o fato essencial, o clímax da história. Resumo inicial, constituído pelos elementos fundamentais do relato a ser desenvolvido no texto.
Legenda – Texto breve que acompanha uma ilustração. Vem geralmente abaixo da foto ou desenho, mas pode também estar colocada ao seu lado ou mesmo dentro do seu espaço. A legenda jornalística é uma frase curta, destinada a indicar ou ampliar a significação daquilo que acompanha.
Negrito – Tipo de letra cujo desenho se caracteriza por seus traços mais grossos que os dos tipos comuns e é empregado para dar realce a alguma parte do texto.
Notícia – Relato de fatos ou acontecimentos atuais, de interesse e importância para a comunidade, capaz de ser compreendido pelo público.
– Parte inferior de uma lauda, página, matéria, anúncio, livro...
Pingue-pongue – Entrevista com perguntas (negrito) e respostas (claro).
Suíte – Ato ou efeito de se desdobrar uma notícia já publicada anteriormente pelo
próprio veículo ou por outro órgão de imprensa. Técnica de dar continuidade à apuração de um fato (já noticiado) que continue sendo de interesse jornalístico, mediante acréscimo de novos elementos para a publicação de notícias atualizadas.
Texto-legenda – Legenda mais ampla, porém sem divisões em parágrafos. Descreve, explica ou comenta a ilustração com mais detalhes que a legenda.

Consulta:
CURY, Adriano Gama.  O Dia, manual de redação e texto Jornalístico. Rio de Janeiro, Editora O Dia S.A., 1996
BARBOSA, Gustavo & RABAÇA, Carlos Alberto. Dicionário de comunicação, São Paulo, Ática, 1986. 
GOMES, Marcos Alexandre de Souza. Manual de redação do jornal Imagem. Rio de Janeiro, Gráfica da SUAM, 1986